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Casa do Benin recebe ocupação artística de Pakapym com a mostra “Ntangulumeso”

Integrando a programação de reabertura e dinamização da casa, o projeto Curta a Casa do Benin promove a mostra do artista digital Júnior Pakapym, que revisita a filosofia Kongo do tempo a partir do olhar de sua mestra, Makota Zimewanga – Valdina Pinto.

A Casa do Benin, equipamento cultural da Prefeitura de Salvador, recebe a ocupação artística de Pakapym, que apresenta a mostra “Ntangulumeso”. A ação integra a programação de reabertura e dinamização do espaço, “Curta a Casa do Benin”, e foi aberta ao público na sexta-feira (6 de novembro).

A exposição é uma abordagem do artista diante do olhar de sua mestra, Makota Zimewanga – Valdina Pinto, sobre a projeção do tempo a partir da filosofia Kongo em diáspora. A mostra busca dar continuidade à memória do Candomblé Kongo/Angola por meio de traços que remetem a diversos pontos vivenciados por Júnior Pakapym, cujo trabalho é marcado pela fusão entre tecnologia e tradição e pelo diálogo com a cultura negra e a religião de matriz africana do Candomblé.

O principal objetivo é transmitir as experiências vividas pelo artista junto à sua mestra, destacando sua memória afetiva e sua visão contemporânea da comunidade de Candomblé. Por meio de obras digitais e instalações, a exposição constrói um repertório rico e plural, que valoriza as tradições e seus reflexos diante da cosmologia e da filosofia Kongo, além de textos criados e traduzidos pela própria mestra.

A abertura da exposição também contou com o relançamento da autobiografia de Makota Valdina, a obra “Meu caminhar, meu viver”, disponível para venda por meio da Editora Poder Afrikano.

Sobre o artista

Antonio dos Santos Cerqueira Junior, o Júnior Pakapym, é artista digital e pintor nascido em Salvador, Bahia. Conhecido carinhosamente como Pakapym em sua comunidade, tem no talento natural para a arte digital a base de uma trajetória que ganhou projeção no cenário artístico nacional. Seu trabalho se inspira na iconografia religiosa e cultural afro-brasileira.

Atua também como profissional de design e se dedica a preservar e difundir a cultura afro-brasileira, enriquecendo o cenário artístico e cultural do país.

Sua obra já circulou fora do Brasil. Ele integra a lista de artistas da mostra “Axé Bahia: The Power of Art in an Afro-Brazilian Metropolis”, organizada pelo Fowler Museum, da UCLA, nos Estados Unidos. Também participou da exposição itinerante “Raízes: Começo, meio e começo”, do Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab), primeira mostra internacional do museu, inaugurada em Marselha, na França. Em 2018, dividiu com o artista Daniel Minter um simpósio e uma oficina de xilogravura no Williams College, nos EUA, onde ambos abordaram sensibilidades religiosas afro-diaspóricas e questões de justiça ambiental e racial.

Sobre a Casa do Benin

A Casa do Benin é um dos espaços culturais administrados pela Prefeitura de Salvador, por meio da Gerência de Equipamentos Culturais / Diretoria de Patrimônio e Equipamentos Culturais da Fundação Gregório de Mattos, que simboliza o fortalecimento das políticas de preservação da memória afro-brasileira. Trata-se de um espaço com características museais, que valoriza as relações culturais afrodiaspóricas. O acervo abriga obras catalogadas pelo antropólogo e fotógrafo francês Pierre Fatumbi Verger em expedições pela Costa do Benin, obras do antigo Museu da Cidade de Salvador e produções artísticas contemporâneas incorporadas ao espaço.

Com projeto arquitetônico da ítalo-brasileira Lina Bo Bardi, o espaço também recebe exposições temporárias e oficinas artísticas, além de desenvolver atividades que reforçam as relações interculturais entre a Bahia e o Benin. Conta ainda com sala multiuso, terraço e a réplica de uma edificação comum no Benin, a Tata Otamari, que já abrigou um restaurante de comidas afro-brasileiras e onde acontecem eventos etnogastronômicos.

Destaque na cena cultural soteropolitana como um dos mais importantes espaços da cidade voltados às culturas negras, a Casa do Benin reabriu em agosto de 2026, após reformas estruturais, completando 38 anos de existência e resistência. Ao longo de sua trajetória, reúne vasta programação de valorização das culturas negras e afro-brasileiras, com exposições, lançamentos de livros, eventos gastronômicos e outras atividades.

Serviço

Evento: Ocupação artística de Pakapym – mostra “Ntangulumeso”
Abertura: Realizada em 6 de novembro, às 17h
Programação de abertura: Relançamento da autobiografia “Meu caminhar, meu viver”, de Makota Zimewanga – Valdina Pinto. Livro disponível para venda pela Editora Poder Afrikano.
Visitação: Terça a sexta, das 10h às 17h; sábados, das 9h às 16h.
Local: Casa do Benin – R. Pe Agostinho Gomes, 17 – Centro Histórico, Salvador – BA
Entrada: Gratuita.

Imagem: Obra Pakapym

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