Formação gratuita fortalece teatro negro em Salvador com oficinas no Arquivo Público da Bahia
Projeto “Ordem Questionada” realiza oficinas gratuitas de Formação de Público, Cenografia, Gestão Teatral e Comunicação Estratégica no Arquivo Público do Estado da Bahia, em Salvador.
Artistas negros da Bahia participam de uma residência artística gratuita voltada à qualificação, autonomia e circulação do teatro negro independente em Salvador. O projeto “Ordem Questionada”, idealizado pelo Coletivo Subverso das Artes, entra em sua segunda etapa formativa promovendo novas oficinas neste mês de março.
As atividades acontecem no Arquivo Público do Estado da Bahia, localizado no bairro do Comércio, em Salvador, reunindo artistas interessados em aprofundar conhecimentos que vão da criação cênica à gestão e comunicação cultural.
No sábado (7), acontece a oficina de Formação de Público, das 9h às 11h. Já no domingo (8), será realizada a oficina de Cenografia, também das 9h às 11h, ambas na Sala Makota Valdina.
A proposta do projeto é ampliar o acesso à formação cultural gratuita na Bahia, fortalecendo não apenas a criação artística, mas também a sustentabilidade e a circulação do teatro negro independente.

Formação completa: da cena à gestão cultural
Com encontros semanais desde novembro de 2025, a residência já realizou um primeiro ciclo dedicado às linguagens criativas, com oficinas de Escrita Teatral, Atuação, Direção Teatral e Direção Musical.
Agora, o segundo ciclo amplia o olhar para áreas estruturantes do setor cultural, com formações em:
- Comunicação Estratégica
- Formação de Público
- Cenografia
- Gestão Teatral
O objetivo é garantir uma formação completa para artistas negros em Salvador, integrando criação, produção, visibilidade digital e estratégias de permanência no mercado cultural.
Segundo a coordenadora do Coletivo Subverso das Artes, Laura Sacramento, a residência se estabelece como espaço de construção coletiva e fortalecimento político:
“A coletividade é muito importante para a sobrevivência não só da arte, como do próprio artista. O teatro é prova viva de que não se faz arte sozinho.”
Em um cenário ainda marcado por desigualdades no acesso a oportunidades culturais, o projeto reforça a importância de iniciativas voltadas ao fortalecimento do teatro negro na Bahia.
Comunicação estratégica e permanência no setor cultural
O professor Fábio Lucas Bezerra dos Santos destaca que a Comunicação Estratégica, muitas vezes colocada em segundo plano, é fundamental para a sustentabilidade dos projetos artísticos.
Seu plano de ensino está estruturado em dois pilares práticos: Vendas e Captação de Recursos e Visibilidade Digital, permitindo que os participantes desenvolvam planos de ação aplicáveis à própria realidade.
Já nas oficinas de Formação de Público, a professora Ana Paula Potira trabalha o conceito de público como coautor da experiência artística, considerando as relações entre cultura, território e identidade.
Segundo ela, pensar formação de público exige refletir sobre as desigualdades estruturais que impactam o acesso à cultura, especialmente para juventudes negras periféricas de Salvador.
Jornada de transformação e novas possibilidades
A residente Jaqueline Santana, de 40 anos, revela que decidiu participar da residência completa mesmo atuando na área de gestão cultural.
“Descobrir em mim um corpo e uma mente criativa no teatro é algo totalmente fora da curva do que eu sempre imaginei para mim, e ao mesmo tempo muito transformador”, conta.
Ela destaca que o processo ampliou sua visão artística e profissional, fortalecendo sua atuação na produção cultural e abrindo novas possibilidades na criação cênica.
Circulação nos bairros de Salvador
A próxima etapa do projeto, intitulada “Circula e Questiona”, será voltada à criação, laboratório e circulação dos espetáculos resultantes das oficinas.
As apresentações estão previstas para acontecer em bairros como:
- Santo Inácio
- Nova Brasília
- Engenho Velho da Federação
- Candeal
- Engenho Velho de Brotas
A circulação fortalece o acesso à arte nas comunidades e amplia o alcance do teatro negro independente em Salvador.
Agenda – Residência Artística Gratuita (Março)
Local: Arquivo Público do Estado da Bahia – Sala Makota Valdina
7 de março (sábado)
Oficina: Formação de Público
Horário: 9h às 11h
8 de março (domingo)
Oficina: Cenografia
Horário: 9h às 11h
14 de março (sábado)
Oficina: Gestão Teatral
Horário: 9h às 12h
15 de março (domingo)
Oficina: Comunicação Estratégica
Horário: 9h às 11h
21 de março (sábado)
Oficina: Formação de Público
Horário: 9h às 11h
22 de março (domingo)
Oficina: Cenografia
Horário: 9h às 11h
28 de março (sábado)
Oficina: Gestão Teatral
Horário: 9h às 12h
29 de março (domingo)
Oficina: Comunicação Estratégica
Horário: 9h às 11h
Sobre o projeto
O projeto “Ordem Questionada” foi contemplado nos Editais da Política Nacional Aldir Blanc Bahia e tem apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado via PNAB, direcionada pelo Ministério da Cultura – Governo Federal.
A iniciativa tem duração total de oito meses, incluindo residência, produção e circulação, e busca consolidar um espaço de troca, construção coletiva e fortalecimento das identidades negras no cenário cultural de Salvador.
Fotos: Amanda Chung
