Alice Caymmi revisita obra do avô Dorival em álbum inédito com reggae, hip hop e eletrônico
As personagens que atravessam o cancioneiro de Dorival Caymmi (1914-2008) — Dora, Anália, Gabriela, a Morena do Mar e a baiana com sua corrente de ouro e bata rendada — voltam à cena musical com novas texturas sonoras. A cantora Alice Caymmi lança nesta quinta-feira, 30 de abril, pelo selo Daluz Música, o álbum “Caymmi”, que revisita um dos repertórios mais emblemáticos da música brasileira em uma releitura que dialoga com passado e presente, passando longe de um tributo convencional.
Com 12 faixas, o resultado é um olhar renovado para clássicos como “Maracangalha”, “Dois de Fevereiro”, “Dora”, “Canto de Obá”, “Canção da Partida”, “Morena do Mar” e “O que é que a baiana tem?”, entre outros. O canto de Alice vem embalado por reggae, hip hop, salsa e batidas eletrônicas, sem perder de vista a força original das composições. O álbum chega às plataformas digitais no dia em que o avô completaria 112 anos.
Quando Alice nasceu, a obra de Dorival Caymmi já era maré cheia na história da música brasileira — com cerca de 120 composições gravadas. Décadas depois, ela decidiu não apenas navegar nesse oceano, mas provocar novas correntes. O primeiro mergulho foi em 13 de março com o lançamento do single “Modinha para Gabriela”, canção eternizada como tema da novela “Gabriela” (1975), adaptação do romance de Jorge Amado. Agora, o público confere o álbum completo, com produção de Iuri Rio Branco.
“Atingi um ponto de maturidade ao entender a obra do meu avô como parte de mim, e não como um fardo. Ela caminha ao meu lado em vez de competir comigo. Por isso a ideia de gravar esse álbum. Olhando para minha história, percebi que era hora. A morte da minha tia Nana (Caymmi) mostrou que o momento tinha chegado. A obra do meu avô é eterna, mas não estava sendo eternizada. Chamei essa responsabilidade para mim”, afirma a cantora.
A seleção das faixas evidencia tanto a dimensão íntima quanto a força narrativa da obra de Caymmi. “Dora” começa como bolero da era de ouro do rádio e vai ganhando novos contornos, com balanço reggae e batida eletrônica. A versão de Alice para “Canto de Obá” é uma das mais emocionantes do álbum ao cantar os versos que protegem a linhagem familiar. “Essa faixa me tocou muito. Meu avô cita a família toda. Chama Xangô para proteger a nossa linhagem. Isso me pega pelo coração”, diz ela.
“Maracangalha”, clássico de 1956, ganha ritmo de calipso e mantém o clima de festa em família, enquanto “Canção da Partida” aparece em forma de salsa, com backing vocals da própria Alice. “Acalanto”, escrita originalmente como canção de ninar, surge mais rarefeita, com ênfase na interpretação vocal. Já “Adeus” e “Eu não tenho onde morar” acentuam o aspecto melancólico do repertório, deslocando-o para uma leitura mais urbana e contemporânea.
O produtor Iuri Rio Branco relembra o processo de trabalho ao lado da cantora. “O desafio foi trazer um olhar despretensioso para o repertório, já que Dorival é um dos compositores mais regravados da música brasileira. Procurei não me ater muito ao que já foi feito e seguir a minha assinatura musical, sempre com respeito. O resultado é um som direto ao ponto, com bastante batida e textura. O álbum carrega muito do que a Alice conta sobre o avô: um artista popular e conectado ao seu tempo. A diferença é que o tempo deste álbum é 2026.”
Tracklist:
- O que é que a baiana tem?
- Acalanto
- Modinha para Gabriela
- Canção da Partida (Suíte do Pescador)
- Canto de Obá
- Maracangalha
- Dora
- Dois de Fevereiro
- Adeus
- Eu não tenho onde morar
- Morena do Mar
- O Bem do Mar
SERVIÇO
Álbum: “Caymmi”
Artista: Alice Caymmi
Lançamento: 30 de abril (plataformas digitais)
Selo: Daluz Música
Produção: Iuri Rio Branco
Pré-save e streaming: disponível nas principais plataformas de música
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