Lançamento de livro trilíngue celebra mais de 100 manifestações culturais do Recôncavo Baiano
São Félix foi a cidade escolhida para sediar o lançamento do livro multimídia trilíngue “Conectar Cultural – Recôncavo da Bahia”, publicação que reúne registros inéditos sobre as manifestações culturais premiadas pelo projeto e mais de 100 expressões culturais mapeadas na região. O evento aconteceu na última sexta-feira, 22 de maio, e marcou o encerramento de mais uma edição do Conectar Cultural com uma celebração à altura da riqueza cultural do Recôncavo Baiano.
Publicado em português, inglês e espanhol, o livro reúne fotografias, entrevistas, conteúdos audiovisuais e relatos produzidos durante o processo de mapeamento cultural realizado em diversos municípios da região. As cinco manifestações premiadas — Samba do Machucador (Cruz das Almas), Nego Fugido (Santo Amaro), Associação dos Artesãos de Saubara, Sociedade Filarmônica União Sanfelixta (São Félix) e Articulação de Mulheres Negras e Quilombolas (Cachoeira) — viram pela primeira vez suas histórias, memórias, imagens e saberes construídos ao longo de gerações materializados nas páginas da obra. Para muitos dos representantes presentes, o momento foi de emoção e reconhecimento de uma caminhada longa e coletiva.
A coordenadora de atividades pedagógicas do Nego Fugido, Isabela Reis, destacou o impacto simbólico e educativo da publicação para a comunidade quilombola de Acupe. “Ter um livro que fale sobre o Nego Fugido, e que vai circular para além do Brasil, é mais que uma conquista. Um dos nossos principais objetivos é levar o nome do Nego Fugido como uma manifestação cultural desmistificada, fora desse contexto folclorizado em que muitas vezes esses grupos culturais são colocados”, afirmou.
Alan Freitas, presidente da Sociedade Filarmônica União Sanfelixta, celebrou o reconhecimento da importância histórica e cultural das filarmônicas do Recôncavo. “Ter esse reconhecimento hoje é uma coisa bastante gratificante para nós, como instituição, para nós, como músicos, em ver que a nossa atividade, o nosso fazer cultural através da música, gera frutos. E ter a nossa história sendo contada dentro de um livro, escrito hoje em três idiomas, é uma coisa que também nos gratifica sobretudo pelo reconhecimento”, disse.
Maria Abade, presidenta da Articulação de Mulheres Negras e Quilombolas do Quilombo Engenho da Ponte, ressaltou que o reconhecimento representa o fortalecimento de uma caminhada construída coletivamente ao longo de mais de uma década. “Esse reconhecimento vem fortalecer tudo o que a gente vem semeando e construindo ao longo de mais de 10 anos enquanto coletivo. Então, fortalece os pactos e vínculos coletivos e o associativismo”, afirmou. Já Lenira Santiago, presidenta da Associação dos Artesãos de Saubara, celebrou a visibilidade alcançada pelas rendeiras e trançadeiras de palha do município. “É um orgulho para nós receber esse livro, porque ele está vindo em três línguas. Então vai correr o mundo. Era tudo o que nós sonhávamos na associação”, declarou.
Representando o Samba do Machucador, Telma Carvalho falou da emoção de ver a trajetória do grupo registrada na publicação. “Ver a nossa história sendo contada e trazendo à tona todas as vivências e memórias é muito importante para a gente. Esse livro trilíngue muito nos enriquece, porque o nosso nome e a nossa história vão ser difundidos para outros países, para que saibam que aqui na Bahia, no Recôncavo, existem essas mulheres fazendo esse movimento de vivências e de alegria”, declarou.
A diretora-presidente do Instituto Neoenergia, Renata Chagas, reafirmou o compromisso da instituição com a salvaguarda cultural. “Encerrar esta edição do Conectar Cultural celebrando manifestações tão potentes do Recôncavo Baiano e consolidar isso em um livro reforça a importância de investir na cultura como patrimônio vivo. Ao longo dessa jornada, conhecemos histórias profundamente conectadas à ancestralidade, à coletividade e à preservação da memória”, destacou. Rodrigo Barros, gerente de operação da Neoenergia Coelba, também marcou presença e ressaltou o alcance social da iniciativa: “É motivo de muito orgulho estar aqui representando a Neoenergia e ver o quanto o Instituto Neoenergia ajudou manifestações culturais tão importantes do Recôncavo Baiano. Manifestações que valorizam pessoas negras, mulheres batalhadoras e que, com esse recurso, podem desenvolver ainda mais a cultura e o desenvolvimento local de toda a comunidade da região.”
A cerimônia contou ainda com a presença do prefeito de São Félix, José Geraldo Tosta Albergaria, da gestora do Conectar Cultural na Bahia, Neusa Martins, da antropóloga e pesquisadora Violeta Salazar, além de representantes de instituições parceiras como IPHAN, IPAC, FUNCEB, CCPI, UFRB, UFBA, UNEB, Fundação Hansen Bahia e Instituto Popular do Recôncavo.
Fruto da parceria entre o Ministério da Cultura, o Instituto Neoenergia e o Instituto São Paulo de Arte e Cultura (ISPAC), com patrocínio da Neoenergia via Lei Federal de Incentivo à Cultura, o Conectar Cultural se consolida como modelo inovador de valorização das culturas imateriais brasileiras. A iniciativa conta ainda com apoio da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, por meio da FUNCEB, IPAC e CCPI, além de IPHAN, UFBA, UFRB, UNEB, Fundação Hansen Bahia e Instituto Popular do Recôncavo.
O livro está disponível gratuitamente em versão digital e audiobook no site www.conectarcultural.com.br, onde também é possível solicitar o exemplar físico.
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