Flica 2026 é lançada com inteligência artificial no centro dos debates sobre criação e cultura
14ª edição da Festa Literária Internacional de Cachoeira acontece de 5 a 8 de novembro, com programação gratuita que reúne literatura, música, infância, juventude e tecnologia
A 14ª Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica) foi lançada oficialmente nesta quarta-feira (2), em Salvador, apresentando uma programação que coloca a inteligência artificial no centro das discussões sobre literatura, arte e processos criativos.
Com o tema “Como ser criativo com tanta IA por aí?”, a Flica 2026 acontece de 5 a 8 de novembro, com atividades gratuitas distribuídas por diferentes espaços de Cachoeira. A proposta é discutir os impactos das novas tecnologias na criação e também refletir sobre aquilo que permanece essencialmente humano na produção artística e literária.
A programação reúne nomes da literatura baiana, nacional e internacional em debates, lançamentos de livros, sessões de autógrafos, saraus, contações de histórias, apresentações artísticas e teatrais, shows, manifestações culturais e exposições.
Inteligência artificial como provocação
A discussão sobre inteligência artificial atravessa diferentes espaços da Flica. Na Tenda Paraguaçu, instalada às margens do Rio Paraguaçu, o tema aparece relacionado a questões como originalidade, autenticidade, ética, direitos autorais, racismo algorítmico e fake news.
A programação também propõe discutir a influência da tecnologia na escrita criativa, no mercado editorial, nas práticas de leitura e na recepção crítica da literatura. Entre os convidados destacados pelo evento estão a cantora, compositora, atriz e comunicadora baiana Larissa Luz e o escritor e jornalista Sérgio Rodrigues.
O curador da Tenda Paraguaçu, Marielson Carvalho, explica que a proposta é observar como a inteligência artificial já interfere na produção e nas relações sociais e, a partir disso, discutir seus impactos sobre a literatura e a criação.
A programação também terá debates sobre afrofuturismo, literatura negra e feminismo negro, além de um sarau com poetas LGBTQIAPN+, aproximando literatura, performance, identidade e ativismo.
Fliquinha coloca a infância no centro
A programação infantil também parte da provocação sobre tecnologia e criatividade. Com o conceito “Original como a infâncIA!”, a Fliquinha será realizada na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e terá as crianças como protagonistas.
A proposta valoriza curiosidade, imaginação, brincadeira, memória afetiva, ancestralidade e o encontro presencial, sem deixar de discutir a presença das telas e das novas tecnologias na infância. Entre as atividades estão oficinas de desenho ao vivo, contações de histórias, capoeira, música, performances e culminâncias escolares.
Outro destaque é a Área Verde da Fliquinha, que funcionará como espaço de acolhimento para as escolas participantes. O local terá atividades como cinema, pintura, teatro de fantoches, produção textual, lançamentos de livros, escultura com balões e a Pedaloteca, além do atendimento de duas psicopedagogas para acolher e orientar famílias de crianças atípicas.
Entre os convidados estão As Aventuras de Mike, de Gabriel Dearo e Manu Digilio, o artista gráfico e quadrinista Cau Gomez e Cleuza Maria, presidente da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte.
Juventude também entra na conversa
No Cine Theatro Cachoeirano, a Geração Flica será dedicada ao público jovem e discutirá como uma nova geração de leitores, escritores e artistas se relaciona com ferramentas que já fazem parte de seu cotidiano.
Autoria, redes sociais, inteligência artificial e os limites entre criação e cópia estarão entre os assuntos abordados. A programação reúne nomes como Zoe X, Filipe Soares, Paulo Moreira e Lailane Dórea, conhecida como Beberes.
Música e a força da arte ao vivo
A programação artística também dialoga diretamente com o tema da edição. Nos palcos Ritmos e Raízes, a Flica aposta no encontro presencial e em manifestações que dependem da experiência ao vivo, como o samba de roda, os repentistas, os tambores, as filarmônicas e as vozes dos artistas.
Entre os nomes anunciados estão Jau e Sued Nunes, artista do Recôncavo Baiano cuja produção combina música afro-brasileira, ancestralidade e elementos eletrônicos.
Durante o lançamento, também foi anunciada a apresentação “mãeana canta JGs”, que coloca em diálogo referências de João Gilberto e João Gomes. O show será um dos destaques da programação musical e ganha uma cobertura própria do Bora Cultura nos próximos conteúdos sobre a Flica.
A escolha conversa diretamente com a provocação central da edição. Para o curador artístico Linnoy Nonato, a discussão sobre inteligência artificial também passa pelaquilo que nenhuma máquina consegue reproduzir: o erro transformado em arte, o improviso, a presença e a ancestralidade.
Vozes da Bahia
Entre as novidades da edição está ainda o edital “Vozes da Bahia”, realizado em parceria com a Fundação Pedro Calmon, vinculada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia.
A iniciativa selecionará editoras, escritores, ilustradores, quadrinistas, cordelistas, organizadores de obras e roteiristas para integrar a Casa dos Autores e das Autoras Baianas. A seleção terá reserva de vagas para pessoas negras, indígenas e com deficiência. As inscrições ainda serão anunciadas pela organização.
A curadoria da 14ª Flica é formada por Marielson Carvalho, na Tenda Paraguaçu; Emília Nuñez, na Fliquinha; Duca Clara, na Área Verde da Fliquinha; Deco Lipe, na Geração Flica; e Linnoy Nonato, nos Palcos Ritmos e Raízes. A jornalista Vanessa Dantas é a embaixadora da edição. A festa terá entrada gratuita e recursos de acessibilidade, incluindo tradução em Libras em diferentes espaços da programação.
O Bora Cultura na Flica
O lançamento apresentou uma programação extensa, com diferentes caminhos para discutir literatura, criação e cultura na Bahia.
O Bora Cultura acompanhou o lançamento e vai publicar, nos próximos dias, matérias especiais sobre os principais destaques da Flica 2026, aprofundando a programação da Tenda Paraguaçu, Fliquinha, Geração Flica e os shows anunciados, além da presença de autores e autoras baianos na festa.
Bora acompanhar a Flica com a gente?
Foto: Bora Cultura
