Música

Artista indígena quéchua Yaku Urku lança álbum “Realeza de Abya Yala” com shows na Bahia

Disco de estreia do artista argentino radicado em Belo Horizonte tem canções em quéchua, espanhol e português que atravessam espiritualidade, território, amor e resistência cultural

Disco de estreia conecta música andina, ritmos tradicionais e reflexões sobre identidade, ancestralidade e território.

Nascido em Salta, no norte da Argentina, e radicado há oito anos em Belo Horizonte, o artista indígena quéchua Yaku Urku lança seu primeiro álbum autoral, Realeza de Abya Yala, ficou disponível a partir de 8 de junho em plataformas digitais. A obra atravessa fronteiras geográficas e simbólicas para propor uma imersão sonora entre memória ancestral, espiritualidade e resistência — e inclui apresentações na Bahia na programação de lançamento.

O disco parte do conceito de Abya Yala — nome utilizado por diversos povos originários para designar o continente americano antes da colonização — como experiência viva de memória, espiritualidade e resistência. Musicalmente, o trabalho percorre sonoridades da tradição andina em diálogo com gêneros como huayno, tinkus, carnavalito e cumbia, ao mesmo tempo em que incorpora linguagens contemporâneas forjadas ao longo da trajetória do artista pela América Latina.

“A minha musicalidade é do povo e para o povo, vem do coração pulsante de Abya Yala, do mato e da periferia”, afirma Yaku Urku. “O álbum é uma travessia entre memória, território e futuro, tecendo uma ponte entre o ancestral e o contemporâneo.”

Um dos elementos centrais do disco é o uso de três idiomas — quéchua, espanhol e português — que surgem não apenas como escolha estética, mas como expressão direta da identidade do artista. Indígena quéchua, argentino de origem e vivendo no Brasil há oito anos, Yaku transforma a pluralidade linguística em matéria sonora e política, refletindo os deslocamentos e encontros que marcam sua caminhada.

Ao longo de dez faixas, o álbum constrói diferentes paisagens emocionais e espirituais. A faixa-título apresenta o conceito do bem viver e questiona hierarquias coloniais ao afirmar a natureza como única verdadeira realeza. “Mãe Terra Mãe Primeira” surge como reverência à Pacha Mama e aos saberes ancestrais, enquanto “Território Indígena” assume tom político ao denunciar violências coloniais e reafirmar a luta pela vida e pelos territórios originários. Canções como “Amor Originário”, “Olhar de Onça” e “Cobra do Vulcão” aproximam espiritualidade e afetividade, explorando o amor como experiência de liberdade, transformação e conexão com a natureza. Em “Venas Abiertas de Abya Yala” e “Semillas de Cura”, Yaku amplia o olhar para a memória coletiva, a resistência e a continuidade dos saberes indígenas nas aldeias, periferias e grandes cidades latino-americanas.

Mais do que um lançamento musical, Realeza de Abya Yala se apresenta como um manifesto artístico sobre a permanência das culturas originárias no presente. Em tempos de disputas narrativas e desafios ambientais, Yaku Urku reivindica outro horizonte possível: um futuro que reconheça suas raízes ancestrais.


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Capa e contracapa de Realeza de Abya Yala

Crédito: Caroline Gandra

OUÇA REALEZA DE ABYA YALALink 

Serviço
Yaku Urku — Shows de lançamento de Realeza de Abya Yala

25 de julho — Casa TUCUM, Rio de Janeiro (RJ)
30 de julho — Reserva Pataxó Jaqueira, Porto Seguro (BA)
22 de agosto — Salta (Argentina)
3 de setembro — Cali (Colômbia)

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