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André Carvalhal, Dora Freind e Paulo Moreira discutem o futuro da criação artística diante da IA na FLICA 2026

A inteligência artificial já é uma realidade para quem cria, escreve, desenha e compartilha ideias. Diante do seu avanço, surgem novas possibilidades para a nova geração de artistas, mas também novas dúvidas sobre autoria, identidade e sobre o que torna uma criação verdadeiramente autêntica. Essas questões irão atravessar a Geração FLICA, espaço voltado à juventude dentro da Festa Literária Internacional de Cachoeira, entre 5 e 7 de novembro, que este ano tem como objetivo discutir os caminhos da produção de conteúdo em tempos de IA.

“Pensar essa curadoria foi justamente misturar linguagens e referências, que é uma característica muito forte da juventude. Trouxe nomes da literatura, ilustração, humor e criação de conteúdo que estão vivendo esse momento da IA na prática. A ideia é colocar diferentes olhares em diálogo e mostrar que a inteligência artificial está atravessando as mais diversas formas de criação, provocando curiosidade, questionamentos e novas oportunidades”, comenta o curador Deco Lipe.

Mesa de abertura

“(IA)gora, para onde vai a nossa imaginação?” é a pergunta que vai guiar a mesa de abertura do espaço, localizado no Cine Theatro Cachoeirano, na quinta-feira (5), às 14h. A conversa terá participação de André Carvalhal, escritor carioca, finalista do prêmio Jabuti e diretor criativo especialista em comportamento, branding e design sustentável; Sandra Liss, poeta, escritora, doutora em Literatura e Cultura pela UFBA e professora de Literatura da UNEB; e mediação de Breno Fernandes, escritor e coordenador do Laboratório de Inteligência Artificial do Programa de Pós-Graduação em Crítica Cultural da UNEB, em Alagoinhas, onde pesquisa o impacto da IA na cultura.

Para André Carvalhal, é importante estabelecer um equilíbrio e ampliar o repertório para além do que os algoritmos oferecem. “A gente precisa exercitar aquela nossa busca despretensiosa, o acaso, aquilo que nos surpreende, aquilo que a gente descobre. Todas essas coisas causam um efeito diferente na gente do que é encontrado através do algoritmo. Quanto mais a gente terceirizar o nosso pensamento, a nossa criação, imaginação e criatividade, sem a gente treinar e praticar o nosso pensamento, principalmente o autoconhecimento, a gente tem uma possibilidade muito grande de se perder e de perder a nossa identidade ao longo desse processo”, pontua.

O que a IA não consegue reproduzir

Um dos pontos altos do segundo dia da Geração FLICA será a mesa “Histórias que só a gente conta”, na sexta-feira (6), às 16h, que vai abrir um diálogo sobre a potência criativa em suas múltiplas formas e o que continua sendo insubstituível na experiência de um escritor ao contar uma história. O encontro reúne a escritora e atriz carioca Dora Freind e o artesão, artista visual, cordelista, arte-educador e professor baiano Matheus Chão de Palha, com mediação da educadora Catarina Neris.

Com o lançamento do livro “As vacas não me olham mais na cara”, Dora Freind irá compartilhar com os visitantes da FLICA o processo de construção da voz narrativa de seu novo romance, que parte da fronteira entre humano e animal, para fazer um paralelo e pensar a relação entre humano e robô. “Eu vivi um processo muito selvagem, instintivo e intuitivo para criar uma personagem que vai se gentificando ao longo da obra, o que é totalmente o oposto do que a IA faz, um processo vivo, quente e intenso. Pretendo falar sobre essa forma tão humana de contar uma história, que escapa à lógica genérica da inteligência artificial”, explica.

Dora revela ainda que, atualmente, um dos maiores desafios de criar uma conexão verdadeira com o público está em fazer com que uma história permaneça em meio ao excesso de estímulos e à velocidade com que os conteúdos são consumidos. “No meio de tantas coisas diferentes ao mesmo tempo, vídeos e áudios escutados na velocidade dois, nosso desafio é construir algo que não seja tão efêmero como esse momento fragmentado que estamos vivendo. Como construir algo que fica e não se dissipa no meio de um mar gigante de informações?”, questiona.

Criatividade que não cabe no algoritmo

O futuro da arte também está em jogo diante da evolução da inteligência artificial. É com essa provocação que a Geração FLICA promove, no sábado (7), às 9h, a mesa “Traço, quadro e ideia: Ilustração e HQ na era da IA”, reunindo ilustradores e quadrinistas para discutir as mudanças na criação, na identidade e nos caminhos profissionais de quem trabalha no meio artístico.

Participam o ilustrador paraibano Paulo Moreira, vencedor de três categorias do 42º Troféu Angelo Agostini e conhecido pelas suas tirinhas de humor nas redes sociais; a ilustradora baiana Isabella Ismile, criadora da página @eipretinha e da personagem Maflô, que traz de forma leve temas como autoestima e identidade negra; e o ilustrador baiano Breu, pesquisador de quadrinhos pelo PIBIC, psicólogo e estudante de Artes Visuais da UFRB. A conversa será mediada por Daniel Cesart, ilustrador, escritor, quadrinista e editor, vencedor do 36º e do 37º Troféu HQMIX.

Para Paulo Moreira, o avanço acelerado da inteligência artificial tem provocado transformações que atravessam diversas profissões, especialmente aquelas ligadas à criação artística. Segundo ele, o uso de grandes acervos de imagens para simular estilos e linguagens reforça a necessidade de discutir limites, cuidados e formas de proteger o trabalho autoral.

“Acho que deve se falar como, hoje em dia, o avanço sem regulação nenhuma da IA tem afetado principalmente quem trabalha com arte, a exemplo da utilização de todo o acervo na internet de estilos de desenhos e pinturas de outros artistas para tentar simular algo feito por humano. Iremos abordar como lidamos com isso, os cuidados que devemos ter e como o trabalho humano ainda não é substituível quando se quer algo bem feito”, afirma.

A 14ª edição da FLICA tem patrocínio do Governo do Estado da Bahia, por meio do FazCultura, da Secretaria da Fazenda (Sefaz), da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) e da Secretaria da Educação (SEC). O evento integra o Bahia Literária, programa da Fundação Pedro Calmon (FPC), unidade vinculada à SecultBA. A realização é da SCHOMMER Produções.

SERVIÇO

Geração FLICA – FLICA 2026
Data: 5 a 7 de novembro de 2026
Local: Cine Theatro Cachoeirano, Cachoeira (BA)

Mesa de abertura – “(IA)gora, para onde vai a nossa imaginação?”
Data: 5 de novembro, às 14h
Participantes: André Carvalhal, Sandra Liss
Mediação: Breno Fernandes

Mesa “Histórias que só a gente conta”
Data: 6 de novembro, às 16h
Participantes: Dora Freind e Matheus Chão de Palha
Mediação: Catarina Neris

Mesa “Traço, quadro e ideia: Ilustração e HQ na era da IA”
Data: 7 de novembro, às 9h
Participantes: Paulo Moreira, Isabella Ismile e Breu
Mediação: Daniel Cesart

Mais informações: Instagram @flicaoficial — https://www.instagram.com/flicaoficial/

Foto: Estêvão Andrade / Isadora Relvas / Matheus Feitoza

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