Liquidificador de Mídias chega à sétima edição com programação gratuita no MAC Bahia
O que permanece quando as luzes se apagam e o acontecimento artístico termina? Entre corpos, memórias, imagens e tecnologias, o Liquidificador de Mídias – Ano 07: Há presença? propõe investigar essa pergunta em uma programação que reúne diferentes linguagens artísticas e formas de experimentar o estar no mundo. Realizado pelo Coato Coletivo, o evento acontece nos dias 29, 30 e 31 de outubro de 2026, no Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC Bahia), no bairro da Graça, em Salvador, com atividades gratuitas.
Em sua sétima edição, o Liquidificador de Mídias dá continuidade à pesquisa desenvolvida pelo Coato Coletivo desde 2017, articulando artes cênicas, performance, audiovisual, tecnologias digitais e processos colaborativos de criação. Com o tema “Há presença?”, a edição investiga como as relações sociais atravessam corpos, imagens e dispositivos tecnológicos, transformando os modos de criar, perceber e compartilhar experiências artísticas.
Uma das novidades desta edição é a parceria com o Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia (FIAC 2026), que amplia as possibilidades de intercâmbio entre artistas, pesquisadores, instituições e públicos. A edição também marca os 10 anos de trajetória do Coato Coletivo, celebrando uma década de criação, pesquisa e engajamento político-social.
Memória, corpo e experimentação
A abertura acontece na quinta-feira, 29 de outubro, às 10h, com a exposição “Há presença?”, que transforma o acervo do Coato Coletivo em um organismo vivo, atravessado pelas marcas do tempo e pelas questões do presente. Objetos cênicos, figurinos e fragmentos de instalações recuperam experiências acumuladas ao longo da trajetória do grupo, evidenciando relações entre memória, afeto, coletividade e resistência política.
A mostra permanece aberta durante o horário de funcionamento do museu, nos três dias do evento, com participação e mediação do Coato Coletivo. A exposição também incorpora audioguia e vídeolibras, com descrição poética das obras, como recursos de acessibilidade e parte da experiência estética e curatorial.
Às 10h30, a artista da dança e arte-educadora Lua Candeia apresenta a performance “Relar”, que investiga a fricção entre pele e arame farpado sobre a superfície de um scanner. A ação articula contato físico, imagens projetadas e impressões, explorando as relações entre corpo, matéria e paisagem. Mestra em Dança pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Lua integra o Grupo X de Improvisação em Dança e desenvolve trabalhos voltados às corporalidades dissidentes e às questões sociais emergentes nos processos de criação.
Oráculo Adinkra e vigilância digital
Na sexta-feira, 30 de outubro, às 10h30, a performance interativa “Oráculo Adinkra”, de Vírus Carinhoso, convida o público a estabelecer uma relação entre ancestralidade, corpo, música e memória. Inspirada nos 12 símbolos Adinkra que estruturam o álbum Karkará, do artista, a experiência começa com a escolha intuitiva de um símbolo, carimbado no corpo de cada participante, seguida da escuta individual da faixa musical correspondente. A atividade terá mediação de Bernardo Oliveira.
Artista multidisciplinar do Subúrbio Ferroviário de Salvador, Vírus Carinhoso, nome artístico de Jonatan Moreira, transita entre música, performance, poesia, dança e artes visuais. Sua produção é marcada pela experimentação e pelas relações com as culturas negra e periférica.
Ainda na sexta-feira, às 15h, o bate-papo “Artes da presença e tecnologias de vigilância digitais e sociais” reúne a artista, curadora e pesquisadora Paola Barreto e o artista, diretor teatral e pesquisador Georgenes Isaac, com mediação de Bernardo Oliveira. O encontro propõe uma reflexão crítica sobre corporalidades, performance e estratégias de visibilidade em um contexto marcado por algoritmos, rastreamento de dados e monitoramento social.
Oficina de música eletrônica e poesia falada
No sábado, 31 de outubro, das 10h30 às 13h, o artista multimídia, programador e professor Bruno Rohde, conhecido como Indizível, conduz a “Oficina de ondas”, dedicada à música eletrônica e à arte sonora. A atividade combina apresentação e prática para explorar o funcionamento dos sintetizadores analógicos, a produção de sons por circuitos eletrônicos e as possibilidades de composição, performance e construção artesanal desses instrumentos.
Voltada a pessoas interessadas em música eletrônica, artes sonoras e práticas faça você mesmo (DIY), a oficina não exige conhecimentos prévios e oferece 15 vagas. As inscrições devem ser realizadas por meio de formulário virtual disponível no perfil do Instagram do Coato Coletivo, @coatocoletivo.
Às 15h30, o Slam Dê Ideia ocupa a programação com a intervenção poética “Há presença?”, em formato de microfone aberto. A ação transforma a palavra falada em espaço de expressão, escuta e reflexão social, convidando o público a participar de uma experiência coletiva que valoriza narrativas periféricas, dissidentes e independentes. Criado em 2023, na Cidade Baixa, em Salvador, o Slam Dê Ideia atua na realização de campeonatos e encontros de poesia falada, fortalecendo a literatura viva, a democratização do acesso à arte e a ocupação cultural das ruas.
Ao reunir diferentes práticas artísticas, o Liquidificador de Mídias reafirma a presença como experiência que se constrói no encontro: entre quem cria e quem acompanha, entre a memória e o presente, entre os corpos e as tecnologias que atravessam a vida contemporânea. Mais do que uma programação de atividades, a sétima edição propõe um espaço de experimentação, reflexão e compartilhamento sobre os modos de estar junto e produzir arte.
O projeto foi contemplado nos Editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura na Bahia, com recursos do Governo Federal repassados pelo Ministério da Cultura e executados pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado.
SERVIÇO
Liquidificador de Mídias – Ano 07: Há presença?
Quando: 29, 30 e 31 de outubro de 2026
Onde: Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC Bahia) — Rua da Graça, 284, Graça, Salvador (BA)
Entrada: gratuita
Mais informações: @coatocoletivo | https://fiacbahia.com.br/ldm-2026/
Programação
29 de outubro (quinta-feira)
10h — Abertura da exposição “Há presença?”, com mediação do Coato Coletivo
10h30 — Performance “Relar”, de Lua Candeia, seguida de bate-papo
Exposição disponível durante o horário de funcionamento do museu
30 de outubro (sexta-feira)
10h30 — Performance “Oráculo Adinkra”, de Vírus Carinhoso, seguida de bate-papo
15h — Bate-papo “Artes da presença e tecnologias de vigilância digitais e sociais”, com Paola Barreto e Georgenes Isaac
31 de outubro (sábado)
10h30 às 13h — “Oficina de ondas”, com Indizível. 15 vagas, mediante inscrição prévia pelo Instagram @coatocoletivo
15h30 — Intervenção do Slam Dê Ideia – Microfone Aberto
Realização: COATO Coletivo
Parceria: Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia (FIAC 2026)
Apoio institucional: Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC Bahia) e Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC)
Foto: Lucas Sato
