CORRE Coletivo Cênico celebra sete anos circulando pelo interior da Bahia
Sete anos de trajetória, criação e resistência marcam o percurso do CORRE Coletivo Cênico, formado por artistas LGBTQIAPN+ que investigam as dissidências sociais a partir das artes da cena. Em 2026, o grupo celebra sua trajetória com o projeto “CORRE | Onde a coragem me abraçou para ser quem sou?”, uma iniciativa de manutenção que articula circulação, formação, mediação, reflexão e criação artística ao longo de 12 meses, com atividades em Salvador e no interior da Bahia.
A programação começa em Alagoinhas, entre os dias 19 e 21 de outubro, com três ações que articulam memória, criação e encontro. “Como transformar vivências em possibilidades de criação cênica?” é a pergunta que orienta a oficina de teatro Eu — Documento do Mundo, conduzida por Luiz Antônio Sena Jr e os integrantes do coletivo, realizada no dia 19 de outubro, das 8h20 às 11h20 e das 14h às 17h, no IF Baiano — Campus Alagoinhas.
Já no dia 20, das 18h às 21h, o circuito de mediação Corre Pra Sentir ocupa o Centro Cultural de Alagoinhas com um convite a homens gays para desacelerar, experimentar outras formas de expressão e refletir coletivamente sobre masculinidades e afetos. No dia 21, às 10h e às 19h, o espetáculo Museu do Que Somos, com direção e dramaturgia de Luiz Antônio Sena Jr, também no IF Baiano, transforma o público em curador de uma experiência cênica que aproxima teatro, performance e museologia.
Gratuitas, as atividades propõem encontros entre artistas, públicos e território, ampliando o acesso às artes cênicas e promovendo reflexões sobre memória, identidade, afetividade e as experiências de pessoas LGBTQIAPN+. A circulação de Museu do Que Somos seguirá também pelos municípios de Lençóis, Nova Soure e Santo Antônio de Jesus — territórios naturais dos integrantes do coletivo. Uma proposta de retorno e compartilhamento de experiências com comunidades que atravessam suas histórias.
Teatro, memória e participação do público
Criado em 2019, o CORRE Coletivo Cênico desenvolve uma pesquisa artística voltada às questões de gênero, sexualidade, sorologia, afetividade, memória e sobrevivência. Ao longo de sua trajetória, realizou trabalhos como “Delivery da Gente”, “PARA-ÍSO” e “Museu do Que Somos”, além de ações formativas e de mediação, como “Corre Pra Sentir”, “Eu — Documento do Mundo” e “Conversas Pro Paraíso”. Integram o coletivo Anderson Danttas, Igor Nascimento, Muri de Almeida, Luiz Antônio Sena Jr., Marcus Lobo e Rafael Brito.
Em circulação, “Museu do Que Somos” articula teatro, performance e museologia para construir um museu em constante transformação, no qual o público é convidado a assumir o papel de curador, participando das escolhas e da composição da experiência cênica. A cada apresentação, a obra se reorganiza a partir das relações estabelecidas com quem a vivencia.
A circulação será acompanhada pela oficina Eu — Documento do Mundo, conduzida pelos integrantes do CORRE. Com carga horária de oito horas e 20 vagas por cidade, a atividade é destinada a pessoas com ou sem experiência teatral e compartilha procedimentos do teatro documentário, explorando as relações entre memória, experiência pessoal e presença cênica.
Outra frente da programação é o Corre Pra Sentir, circuito de mediação voltado para pessoas LGBTQIAPN+, com atividades de integração, experimentação artística e reflexão coletiva. Em Alagoinhas, a vivência ocorre no dia 20 de outubro, entre 18h e 21h, direcionada a homens gays, e propõe um espaço de escuta e reconexão com a própria sensibilidade, abordando masculinidades, afetividade, colonialidade, agressividade, traumas, paternidade, dor e cura.
Um projeto de continuidade e novas possibilidades
Para além da circulação, “CORRE | Onde a coragem me abraçou para ser quem sou?” reúne ações que fortalecem a pesquisa artística do grupo e ampliam sua interlocução com diferentes públicos. Entre elas estão a realização de um curso de Teatro e Performance Dissidente, com carga horária de 40 horas, em Salvador; a produção de 12 videopodcasts sobre sexualidade, afetividade, HIV e artes; e a criação de um novo espetáculo que leva o nome do projeto.
A nova montagem terá direção e dramaturgia de Luiz Antônio Sena Jr. e tem estreia prevista em 2027, com temporada de dois meses na Casa CORRE, espaço-sede localizado em Salvador cuja criação e manutenção também integram o projeto. A Casa CORRE nasce como lugar de pesquisa, criação, formação, difusão e convivência, com a perspectiva de acolher também iniciativas de outros artistas e grupos culturais.
Ao completar sete anos, o CORRE reafirma o compromisso com a criação de experiências cênicas que questionam normas sociais e propõem outras possibilidades de existência, convivência e reconhecimento. Mais do que marcar uma data, o projeto investe na continuidade de um trabalho artístico construído coletivamente e na ampliação de espaços de encontro entre a cena e a sociedade.
O projeto foi contemplado nos Editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura na Bahia, com recursos do Governo Federal repassados pelo Ministério da Cultura e executados pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado.
SERVIÇO
CORRE | Onde a coragem me abraçou para ser quem sou? — Primeira parada: Alagoinhas
Período: 19 a 21 de outubro de 2026
Oficina Eu — Documento do Mundo
Data: 19 de outubro
Horários: das 8h20 às 11h20 e das 14h às 17h
Local: IF Baiano — Campus Alagoinhas
Vagas: 20
Entrada: gratuita
Mediação Corre Pra Sentir
Data: 20 de outubro
Horário: das 18h às 21h
Local: Centro Cultural de Alagoinhas
Público: homens gays
Participação: gratuita, sem necessidade de inscrição prévia
Espetáculo Museu do Que Somos
Data: 21 de outubro
Horários: 10h e 19h
Local: IF Baiano — Campus Alagoinhas
Entrada: gratuita
Próximas paradas: Lençóis, Nova Soure e Santo Antônio de Jesus
Informações: Instagram @corre_ba
Foto: Divulgação
