Teatro

A poesia pega a estrada: Alex Simões leva poeformance, livro e oficina para três territórios da Bahia em outubro

A poesia de Alex Simões pega a estrada. Entre 1º e 30 de outubro, o poeta e performer baiano realiza uma circulação que passa por Lisboa, Diogo, Massarandupió e Rio de Contas, reunindo performance, lançamento do livro e oficina de poesia e técnicas básicas de encadernação. A programação leva a diferentes territórios uma produção literária marcada pela experimentação da linguagem e pelo encontro entre palavra, corpo, música, imagem e cotidiano.

A poesia de Alex Simões pega a estrada. Entre 1º e 30 de outubro, o poeta e performer baiano realiza uma circulação que passa por Lisboa, Diogo, Massarandupió e Rio de Contas, reunindo performance, lançamento do livro e oficina de poesia e técnicas básicas de encadernação. A programação leva a diferentes territórios uma produção literária marcada pela experimentação da linguagem e pelo encontro entre palavra, corpo, música, imagem e cotidiano.

A circulação começa em 1º de outubro, em Lisboa, no Casulo Espaço Cultural, com conversa mediada pelo poeta baiano radicado em Portugal Ederval Fernandes, seguida de apresentação de poeformance e lançamento de “assim na terra como no selfie”. Na Bahia, a programação passa por Diogo, Massarandupió e Rio de Contas, articulando literatura, música, performance e formação.

Em Diogo, no dia 22 de outubro, das 14h às 17h, acontece a oficina “Tudo métrica e rima num caderno”. A partir das 18h, Alex apresenta a poeformance, em diálogo com o músico Ivan Huol, seguida do lançamento do livro. Em Massarandupió, a oficina acontece no dia 23, das 14h às 17h, seguida de poeformance e lançamento, a partir das 18h. Já em Rio de Contas, a circulação integra a programação da Festa Literária de Rio de Contas (FLIRCONTAS), no dia 30 de outubro.

Uma poesia que não para num lugar só

Mais do que levar uma programação literária para outros lugares, o projeto coloca em movimento uma poesia que já nasce do deslocamento. Publicado em 2021 pelo selo editorial paraLeLo13S, da livraria Boto-cor-de-rosa, “assim na terra como no selfie” reúne poemas atravessados por redes sociais, acontecimentos cotidianos, pandemia, desejos, memórias e contradições, experimentando diferentes formas, ritmos, imagens e referências.

A poeformance é o eixo central da circulação. Criada e executada por Alex Simões, em diálogo com o músico Ivan Huol, a apresentação articula poesia, música e performance. Poemas de Alex encontram textos de Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira e Caetano Veloso, além de referências dadaístas, modernistas, tropicalistas, contemporâneas e ao “Inferno”, de Dante Alighieri.

A proposta tira a poesia da página para fazê-la ocupar o espaço compartilhado com o público. Palavra, voz, música e corpo se encontram em uma apresentação que atravessa diferentes tempos e linguagens. Essa experimentação também está presente no livro, que reúne poemas de estruturas diversas, jogos de linguagem, experimentações visuais e textos próximos da oralidade e da performance.

Entre o cotidiano, o íntimo e o mundo

Em “assim na terra como no selfie”, Alex Simões aproxima referências da tradição literária de imagens e situações do presente. Em “QU4DR1LHA”, por exemplo, a conhecida quadrilha de Drummond ganha outros caminhos: João, Teresa, Raimundo, Maria, Joaquim e Lili passam a circular entre “direct”, “fake news”, “match”, publicações e “Stories”. Entre a ironia, o jogo de palavras e a experimentação da forma, os poemas criam diferentes maneiras de olhar para o mundo e para si.

Essa escrita também se volta para dentro. Em “45”, o poeta percorre dúvidas, desencontros e a própria experiência de existir; em “tapetum lucidum”, corpo, identidade, diferenças e formas de pertencimento entram em cena; enquanto “In:___desejado” transforma a estrada em imagem para falar de encontros, desejos e deslocamentos. São poemas que se movimentam entre aquilo que acontece no mundo e aquilo que reverbera no corpo de quem escreve.

A estrada, nesse sentido, não é apenas o caminho físico percorrido pela circulação. Ela também atravessa a própria poesia de Alex: deslocar-se, observar, encontrar o outro e transformar a experiência em linguagem. Como escreve em “cama de gato”: “eu faço versos como quem / faz uma cama / de gato”.

Da página à cena

A circulação cria um movimento de ida e volta entre livro, cena e criação. A poeformance transforma os poemas em acontecimentos; o lançamento aproxima o público da obra impressa; e a oficina convida participantes a experimentar seus próprios versos.

Realizada em Diogo e Massarandupió, a oficina “Tudo métrica e rima num caderno” é voltada principalmente para estudantes dos territórios participantes, a partir de 16 anos. Durante três horas, os participantes entram em contato com noções básicas de versificação, como verso, ritmo, escansão e rima, além de experimentarem a construção de quadras em redondilha menor e maior.

A atividade inclui ainda técnicas básicas de encadernação, reunindo poemas lidos e textos produzidos durante o encontro. Ao final, cada participante leva consigo o próprio caderno. A proposta amplia o sentido da circulação: não apenas levar a poesia a outros territórios, mas criar condições para que novas escritas apareçam a partir deles.

Um poeta em movimento

Nascido em Salvador, em 1973, Alex Simões é poeta e performer. Publicou “quarenta e uns sonetos catados” (2013), “(hai)céufies” (2014), “Contrassonetos” (2015), “trans formas são” (2018) e “no meu corpo o canto: #experimentoscomletrasurbanas” (2020), este último em coautoria com a Tanto Criações Compartilhadas.

Sua produção integra antologias, coletâneas e revistas nacionais e internacionais, com poemas traduzidos para espanhol e inglês. Desde os anos 1990, participa de saraus, festivais literários e eventos multilinguagens na Bahia e em outros territórios.

Entre suas experiências estão a participação no recital Resistencia, em Havana, Cuba, em 2017; um workshop de poesia visual no Poetry Foundation, em Chicago, em 2018, durante o intercâmbio Close to There/Perto de Lá; e a participação como autor estudado na disciplina Introdução à Literatura Lusófona, da University of Washington, em 2020.

O projeto foi contemplado nos Editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura na Bahia, com recursos do Governo Federal repassados pelo Ministério da Cultura e executados pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado.

SERVIÇO

Circulação Poeformance por Alex Simões | Livro + Oficina + Performance
Período: 1º a 30 de outubro de 2026
Cidades: Lisboa (Portugal), Diogo, Massarandupió e Rio de Contas (BA)

DIOGO
22 de outubro
Oficina “Tudo métrica e rima num caderno” | 14h às 17h
Poeformance + lançamento de “assim na terra como no selfie” | a partir das 18h
Local: Pousada e Espaço Cultural Vila Flor Ecocentro

MASSARANDUPIÓ
23 de outubro
Oficina “Tudo métrica e rima num caderno” | 14h às 17h
Poeformance + lançamento de “assim na terra como no selfie” | a partir das 18h
Local: Centro de Artes Maxim Malhado (CAMMA)

RIO DE CONTAS
30 de outubro
Poeformance + lançamento de “assim na terra como no selfie”
Local: Festa Literária de Rio de Contas (FLIRCONTAS)

Foto: Alex Simões – por Pedro Paulo Guisande

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