“Cartas Para”: documentário baiano com Elisa Lucinda, Paulina Chiziane e Raquel Lima tem exibição em Salvador e na FLIP
O documentário “Cartas Para”, dirigido por Vânia Lima com produção da Têm Dendê Produções, ganha uma agenda especial em julho, com uma exibição na próxima terça-feira (28), às 19h, no espaço Boca de Brasa Cajazeiras, em Salvador. No filme, que tem distribuição da Lança Filmes, Paulina Chiziane, em Moçambique, Elisa Lucinda, no Brasil, e Raquel Lima, em Portugal, têm seus cotidianos revelados e alterados na troca de nove cartas que atravessam o Atlântico e sua história colonial . Antes disso, neste sábado (25), “Cartas Para” será exibido na Festa Literária Internacional de Paraty.

A produção baiana percorreu importantes festivais no Brasil, como o Festival do Rio e a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo . Os desejos e angústias de Elisa, Paulina e Raquel para seguirem escritoras na diáspora são apresentados em uma narrativa poética de sons, espiritualidades e corpos, em que a existência desafia o racismo, machismo e xenofobia, mirando no futuro da Língua Portuguesa e seus falantes .
As artistas se debruçam sobre os processos que envolvem seus trabalhos, o papel da escrita em suas vidas e a descoberta de suas vozes. Elisa Lucinda, por exemplo, afirma, no filme, que considera o poema como uma carta. “Todo poeta está escrevendo uma carta, um bilhete. Mesmo que seja para si mesmo. Mesmo que seja para o imaginário. Nunca é sem remetente”, diz a poetisa que é também cantora e atriz .
“O poder de uma voz não conhece fronteiras e atravessa espaços e tempos. (…) Para ter voz, é preciso lutar por ela e conquistá-la”, escreveu Paulina Chiziane em carta para Raquel Lima, revelada no filme . “A escrita, para mim, funciona como esse espaço de exorcismo dos meus fantasmas”, diz, no documentário, a escritora moçambicana, militante do feminismo, a primeira mulher negra a publicar um romance em Moçambique e a primeira mulher africana a receber o Prêmio Camões (2021) .

“Eu acho que a língua é um espaço de poder, um espaço para problematizar. Mas também um espaço para ocupar e para reinventar”, analisa, em “Cartas Para”, Raquel Lima, poeta, investigadora, arte-educadora e ativista portuguesa . Ela é doutoranda do Programa Pós-Colonialismos e Cidadania Global do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e a sua investigação centra-se em Oratura, Escravatura e Movimentos Afro Diaspóricos .
A diretora Vânia Lima define o projeto como um trabalho de criação compartilhada. “Contamos uma história juntas, um filme com elas e não sobre elas. Foi uma experiência que mudou a minha forma de dirigir e de pensar documentário” . Para Vânia, a exibição na FLIP é uma oportunidade do filme encontrar seu público em novos ambientes. “Deixamos de fazer uma exibição comum. Ele sai das telas e vai encontrar o público nos ambientes de literatura e ganha essa vida nas conversas, nos debates sobre literatura. É uma nova forma de pensar em como o cinema encontra seu público”, aposta.
Com produção da Lima Comunicação, parte do Grupo Têm Dendê, “Cartas Para” reúne profissionais do Brasil, Moçambique e Portugal . A equipe conta ainda com Keyti Souza e Taguay Tayussy na produção executiva, Bruno Ramos na direção de produção e Cláudio Antônio na direção de fotografia . O filme foi realizado com recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), via Prodecine/2016 e Suporte Automático, gerido pelo BRDE e Agência Nacional de Cinema (Ancine).
A exibição em Salvador integra o Circuito Mulheres Negras em Movimento 2026, uma política pública da Prefeitura de Salvador, coordenada pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (SECULT), OEI no âmbito do programa Salvador Capital Afro. Na cidade, Raquel Lima participa também de uma mesa no domingo (26), no mirante da Casa das Histórias.
SERVIÇO
Exibição do documentário “Cartas Para”
Data: 28 de julho (terça-feira)
Horário: 19h
Local: Espaço Boca de Brasa Cajazeiras – Salvador/BA
Entrada: gratuita
Festival: FLIP (Paraty) – 25 de julho
Trailer: https://youtu.be/jITHBRqqy8I

