Teatro Castro Alves é reinaugurado após três anos de obras e inicia nova fase da cultura baiana
Obra trouxe modernização, acessibilidade, segurança e sustentabilidade ao maior templo da cultura baiana
O Teatro Castro Alves (TCA), principal equipamento cultural da Bahia, foi reinaugurado na noite desta quarta-feira (1º), em Salvador, após três anos fechado para obras de requalificação. Com investimento superior a R$ 260 milhões, a reforma modernizou a estrutura, ampliou a acessibilidade, reforçou a segurança e incorporou soluções sustentáveis, preparando o espaço para as próximas décadas sem abrir mão de seu valor histórico.
A cerimônia de reinauguração reuniu o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, o secretário estadual de Cultura, Bruno Monteiro, além de artistas, representantes do setor cultural e trabalhadores que participaram da obra.
Investimentos
Com mais de R$ 260 milhões investidos, a obra do TCA representa a maior intervenção já realizada no teatro desde sua inauguração. O investimento contou com recursos do Governo do Brasil e do Governo da Bahia, reforçando o compromisso com a preservação do patrimônio cultural e com o fortalecimento das políticas públicas de cultura.
Além do restauro, a intervenção trouxe modernização tecnológica, ampliação de espaços, maior acessibilidade, segurança e sustentabilidade, preparando o TCA para as próximas décadas e, ao mesmo tempo, preservando seu valor histórico e arquitetônico. Entre as melhorias realizadas, foram implantados novos sistemas de mecânica cênica, iluminação e sonorização na Sala Principal, o foyer foi requalificado, as fachadas restauradas e o Edifício Lâmina foi criado.
Concerto da Bênção
A reinauguração foi marcada pelo Concerto da Bênção, espetáculo que celebrou a riqueza cultural brasileira e marcou o início de uma nova fase do Teatro Castro Alves.
O espetáculo teve como mestre de cerimônia o ator baiano Jackson Costa. Entre os pontos altos da noite, os hinos Nacional e da Independência da Bahia foram entoados pelo Coral Ecumênico da Bahia e por parte dos trabalhadores que participaram da reforma do TCA. O repentista Bule-Bule também participou da festa entoando suas rimas.
A Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA), sob a regência do maestro Carlos Prazeres, conduziu o Concerto da Bênção, reafirmando o Teatro Castro Alves como espaço de excelência artística, diversidade e encontro de diferentes linguagens.
Além da orquestra completa, subiram ao palco o Balé do TCA e os cantores Lazzo Matumbi, Virgínia Rodrigues, Sued Nunes, Simone e Gilberto Gil, que tocaram clássicos da música brasileira com arranjos especialmente preparados pela OSBA para esta apresentação.
Sobre o TCA
Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Teatro Castro Alves é um dos principais símbolos culturais da Bahia e do Brasil. Inaugurado em 1958 e reinaugurado em 1967 após um incêndio, o equipamento abriga a Orquestra Sinfônica da Bahia e o Balé Teatro Castro Alves, além de receber grandes produções nacionais e internacionais.
Durante os três anos de obras da última reforma, mais de dois mil trabalhadores participaram da execução do projeto. Desde maio de 2025, o público também pôde acompanhar de perto a transformação do equipamento por meio do programa educativo “TCA de Perto”, que levou mais de mil pessoas para visitas guiadas ao espaço.
A cerimônia também foi marcada pelos discursos das autoridades presentes.
Em seu discurso, a ministra Margareth Menezes saudou o presidente Lula, a quem chamou de o presidente da cultura. “Quem vive da arte sabe a importância de ter um governo com essa sensibilidade. Pela primeira vez, estamos tendo um investimento dessa envergadura em nosso país”, disse.
A ministra destacou ainda que a Bahia recebeu uma joia em forma de teatro e que o TCA entrou para o panteão dos grandes teatros não apenas do Brasil, mas da América Latina. “O que foi feito aqui no TCA é imenso, é maravilhoso, é diferenciado”, definiu.
O secretário de Cultura da Bahia, Bruno Monteiro, ressaltou que esse foi um momento de grande emoção marcado pelo reencontro do público com esse espaço sagrado da cultura brasileira. Monteiro frisou que, não por acaso, essa reinauguração aconteceu na véspera da independência da Bahia.
“O 2 de julho marca uma luta pelos valores democráticos, pela liberdade e sabemos que a cultura só acontece e se desenvolve em um ambiente democrático e com governos que enxergam a cultura como um vetor para o desenvolvimento”, afirmou.
Foto: Ricardo Stuckert / PR

