Exposição Invisíveis convida a olhar para o que o Carnaval costuma deixar fora do enquadramento
Fotografias de Arivaldo Publio registram diferentes olhares sobre o Carnaval de Salvador e de Pernambuco em exposição que chega ao Rio Vermelho no dia 16 de setembro
Seu bloco vai passar. Mas o que fica quando a festa termina?
É a partir dessa provocação que nasce Invisíveis, exposição do fotógrafo e artista Arivaldo Publio, que chega ao Rio Vermelho, em Salvador, no dia 16 de setembro. A mostra reúne fotografias produzidas durante carnavais de Salvador e de Pernambuco e propõe um exercício que parece simples, mas talvez seja justamente um dos mais difíceis: olhar de novo para aquilo que está diante dos nossos olhos todos os dias.
E tem uma escolha curiosa logo no convite para a exposição. Em vez de apresentar ao público alguma das fotografias que estarão na mostra, Arivaldo optou por não revelar nenhuma imagem.
É como se o próprio convite pedisse um pouco mais de curiosidade.
“O invisível pode estar ao seu lado.”
A frase atravessa a proposta da exposição e deixa uma pergunta no ar: o que a gente passa sem ver?
Dois carnavais, dois olhares
As fotografias partem de dois territórios marcados pela força da cultura carnavalesca: Bahia e Pernambuco. São dois estados, diferentes olhares e um mesmo festejo, registrados a partir de perspectivas que ajudam a construir a proposta da exposição.
A exposição trabalha também com contrastes. De um lado, fotografias em preto e branco. Do outro, imagens em cor.
Mais do que uma escolha estética, a combinação ajuda a construir a ideia de diferentes pontos de vista que atravessa a mostra. O Carnaval que todo mundo conhece, aquele dos blocos, das grandes atrações e da multidão, pode ganhar outros contornos quando o olhar se desloca para quem costuma ficar à margem do enquadramento.
E é justamente aí que Invisíveis parece querer provocar o visitante.
Não necessariamente para procurar respostas, mas para perceber.
Quem são os invisíveis?
Talvez esta seja a pergunta mais interessante para levar para a exposição.
Quem passa por nós todos os dias sem ser percebido? Quem está dentro da festa, mas não necessariamente aparece nas imagens que costumamos guardar dela? Que histórias ficam escondidas entre uma fotografia e outra?
A proposta de Arivaldo não parece querer entregar tudo antes da hora. Pelo contrário. A exposição nasce também como um convite para desacelerar e aprimorar o olhar, percebendo aquilo que pode estar muito perto, mas que a pressa faz desaparecer.
E a ideia não termina nas fotografias.
Segundo o artista, o convite é duplo: conhecer a exposição e também compartilhar outras histórias invisíveis. A intenção é que a mostra seja ponto de partida para ampliar essa conversa e fazer com que outros “invisíveis” também possam tomar forma.
Uma exposição que começa antes de entrar na sala
Talvez por isso o convite para Invisíveis seja tão interessante.
Antes de ver as fotografias, o público é convidado a pensar sobre o próprio ato de ver.
Afinal, se o Carnaval é uma das festas mais fotografadas do país, o que ainda pode estar escondido em meio a tanta imagem?
A resposta, por enquanto, fica para quem passar pela Vry no dia 16 de setembro.
E talvez essa seja justamente a graça: chegar sem saber exatamente o que encontrar.
Bora conhecer?
Serviço
Exposição Invisíveis
Abertura: 16 de setembro de 2026, às 19h
Local: Vry
Endereço: Rua Guedes Cabral, 88, Rio Vermelho, Salvador, BA
Fotografias e criação: Arivaldo Publio
Curadoria: Araylton Alexandre Publio
Produção: Eraldo Rodrigues e Helder (Vry)
Design: Rafael O. Paixão
Vídeo: Biel Intenso
Graffiti: Bigo do Sapo