Literatura

Leia Mulheres Salvador leva “Travessia”, de Olívia Biasin Dias, ao centro do próximo encontro no MAB

Primeiro livro da autora, formado por 13 contos ambientados na Bahia contemporânea, aborda afetos, perdas, escolhas e transformações da vida adulta

O que acontece quando uma história de vida muda de direção? Quando um afeto precisa ser ressignificado, uma perda exige um novo caminho ou uma ruptura abre espaço para uma transformação?

Essas são algumas das questões que atravessam Travessia, primeiro livro da escritora Olívia Biasin Dias, escolhido para o encontro de setembro do Leia Mulheres Salvador. A conversa acontece no dia 26 de setembro, às 14h30, no Museu de Arte da Bahia (MAB), com entrada gratuita e sem necessidade de inscrição prévia.

Formado por 13 contos ambientados na Bahia contemporânea, o livro acompanha personagens diante de diferentes momentos de suas vidas e transforma experiências particulares em histórias sobre relações humanas, afetos e escolhas.

Uma travessia feita de afetos

Em Travessia, as personagens enfrentam situações que fazem parte das experiências da vida adulta. Desilusão, perda, ruptura, reconciliação e transformação aparecem como marcas desses percursos.

As histórias também falam sobre a construção e a ressignificação dos afetos em meio às turbulências da vida. Em cada conto, as experiências vividas pelas personagens podem revelar novas perspectivas ou colocar diante delas a necessidade de escolher novos caminhos.

O próprio título do livro aponta para essa ideia de movimento. As travessias não são apenas deslocamentos, mas momentos de passagem, quando alguma coisa muda e é preciso encontrar uma nova maneira de seguir.

Mesmo partindo de conflitos e situações distintas, os contos encontram no afeto uma espécie de ponto de convergência. É ele que, nas histórias, aparece como possibilidade de transformação e redenção.

Uma autora entre a pesquisa e a ficção

Olívia Biasin Dias nasceu em Pelotas, no Rio Grande do Sul, e vive em Salvador desde a adolescência. Sua trajetória acadêmica também está ligada à pesquisa: é graduada em Turismo, mestre e doutora em História e atua como pesquisadora e professora em cursos técnicos e universitários.

A escrita de Travessia aconteceu em um período igualmente marcado por mudanças e incertezas. A maior parte dos contos foi escrita durante o isolamento social provocado pela pandemia, entre 2020 e 2021.

O livro representa, assim, sua estreia individual na ficção, depois de participações em outras publicações. Olívia integrou a coletânea Pela janela do quarto, lançada pela Editora Voz Mulher em 2021, e teve um texto selecionado, em 2022, no concurso Crônicas da Fome, idealizado pelo Instituto Fome Zero.

A relação da autora com a Bahia também ganha importância na obra. Embora tenha nascido no Sul do país, é na Bahia, onde vive desde a adolescência, que estão ambientadas as histórias de Travessia.

Por que esta leitura faz parte do Leia Mulheres?

A escolha de Travessia não é apenas uma indicação de leitura. O encontro faz parte da proposta do Leia Mulheres, projeto que busca estimular a leitura e a discussão de obras escritas por mulheres.

Em Salvador, os encontros acontecem mensalmente no MAB e funcionam como espaços para compartilhar impressões, interpretações e diferentes formas de se relacionar com uma obra. A cada mês, uma nova autora entra em foco.

No segundo semestre de 2026, a seleção passa por diferentes escritoras e propostas literárias. Depois de Mundos de uma noite só, de Renata Belmonte, em agosto, setembro chega com Travessia, de Olívia Biasin Dias. Para os meses seguintes, estão previstas leituras de Assim na terra como embaixo da terra, de Ana Paula Maia; Canção para ninar menino grande, de Conceição Evaristo; e Corpo Público, de Mathilde Ramadier e Camille Ulrich.

A dinâmica ajuda a transformar o clube em mais do que uma reunião para falar sobre um livro. É também uma oportunidade para conhecer autoras, descobrir diferentes formas de escrita e colocar suas obras em circulação por meio da leitura coletiva.

Literatura que nasce de um território

Há ainda um aspecto especialmente interessante na escolha de Travessia para o encontro em Salvador.

A obra reúne histórias ambientadas na Bahia contemporânea, escritas por uma autora que, embora tenha nascido no Rio Grande do Sul, construiu sua trajetória de vida e acadêmica em Salvador.

É um movimento que interessa à literatura baiana: observar não apenas quem nasceu na Bahia, mas também quem constrói aqui sua relação com a escrita, com o território e com as histórias que escolhe contar.

Nesse sentido, Travessia chega ao Leia Mulheres como uma oportunidade de olhar para a Bahia também pela ficção e, ao mesmo tempo, conhecer uma autora que transita entre diferentes campos, da pesquisa histórica à literatura.

Um convite para ler e conversar

O encontro de setembro será aberto ao público e não exige conhecimento prévio da obra. A proposta é chegar, conversar e compartilhar diferentes percepções a partir da leitura.

Para quem ainda não conhece Travessia, o encontro pode ser também uma porta de entrada para a produção de Olívia Biasin Dias e para uma literatura que transforma experiências de afeto, perda, ruptura e recomeço em histórias ambientadas na Bahia contemporânea.

Serviço

Leia Mulheres Salvador — Travessia, de Olívia Biasin Dias

Data: 26 de setembro de 2026, sábado
Horário: 14h30
Local: Museu de Arte da Bahia (MAB), Av. Sete de Setembro, 2340, Corredor da Vitória, Salvador/BA
Entrada: gratuita
Inscrição: não é necessária
Livro: Travessia, de Olívia Biasin Dias

Bora porque…

Porque ler mulheres também é abrir espaço para novas histórias, novas perspectivas e novas vozes. E desta vez o convite passa por 13 contos que olham para a Bahia contemporânea e para as travessias que acontecem dentro de cada pessoa.

Foto: Imagem gerada com IA

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